domingo, 26 de abril de 2020

Barbosa e a sentença do goleiro negro

Matéria com barbosa na Gazera Esportiva
"No Brasil, a pena máxima (de prisão) é de 30 anos, mas pago há 40 por um crime que não cometi" - Uma das frases mais célebres de Barbosa. Em um país racista como o Brasil, o goleiro ídolo do Vasco sofreu até o dia de sua morte com a culpa do Maracanazzo. Atribuem a derrota à Barbosa, mesmo quando os registros falam de um Brasil acuado, assustado, dizem até que quando o Uruguai empatara o jogo, conseguia se ouvir Obdulio Varela gritando e instruindo seus companheiros tomando o silêncio das 150 mil pessoas presente. Barbosa foi penalizado e amaldiçoado. Foi chamado de pé frio, dizem as más línguas que até foi proibido de visitar os jogadores da Seleção Brasileira antes do jogo do Uruguai pelas Eliminatórias, porque poderia trazer má sorte. Goleiros negros sofreram por décadas e até hoje sofrem mais por essa desconfiança, algo aumentado em 1950. Dida sofreu por anos, teve carreira no Brasil e na Europa bem mais regular e consagrada que seus dois contemporâneos, mas é muitas vezes menos lembrado que ambos. A diferença? Só olhar a pele de cada um. Os goleiros negros sofreram (e sofrem tanto) que até Edílson, um ex-jogador negro comentou na televisão: "problema que goleiro negão uma hora erra". Eu mesmo ouvia na infância um dos ditados que saia mais ou menos assim: "goleiro preto quando não caga na entrada, caga na saída", racismo descarado. No dia do goleiro, não podemos esquecer da pena que ainda cai sobre eles. Caiu sobre Barbosa, Dida, Jéfferson e irá cair para os que irão vir, do racismo velado (às vezes nem tanto), a pena que Barbosa carrega e infelizmente é paga pelos seus sucessores de forma injusta.
Por Luca Laprovitera
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sábado, 18 de abril de 2020

FUTEBOL E COVID-19

Imagem: Correio 24 Horas
Hoje completamos exato 1 mês sem futebol no Brasil por conta da pandemia do Covid-19. O Corona Vírus que assola o mundo adiou UEFA Euro, Olimpíadas e Copa América para 2021, e não deve parar só por aí. Torneio nacionais e internacionais estão paralisados por todo planeta e sem a menor ideia de quando irão voltar. Vou falar de alguns tópicos que são realidade agora e outros que devem ser em breve.
TEMPORADA EUROPEIA No dia 2 de abril, a Liga Belga foi cancelada e o Club Brugge declarado campeão com o consenso de todos os clubes da liga. A UEFA inclusive ameaçou suspender de suas competições pela decisão, porém ainda não oficializou (e provavelmente sequer irá).
Já a Bundesliga ensaiava o retorno no fim de maio/início de junho dos jogos restantes, mas sem torcida. A ideia foi rechaçada pelo governo, inclusive suspendendo qualquer atividade esportiva até o dia 31 de agosto, e tendo alas considerando só retornar em 2021, algo que deve ser seguido por praticamente todo o continente se houver bom senso.
TEMPORADA NO BRASIL No Brasil, os clubes estão férias até o fim desse mês e se fala em retornar no próximo mês as competições, considerando portões fechados. O próprio presidente do país, Jair Bolsonaro, se portou a favor e disse para ouvirem os sindicatos de jogadores. O SAFECE, sindicato no Ceará, confirmou que concorda com a preocupação de Bolsonaro, mas pediu cautela e que irá esperar informações dos órgãos de saúde, mas que se a situação permanecer, um protocolo de segurança poderia ser criado.

Especialistas acham irreal pensar em futebol no Brasil antes de Agosto ou Setembro. O crescente número de casos, a imensa sub-notificação e o fato da doença ter números altos sem ter chegado ao pico, só deixam mais distante termos um retorno em breve. Mesmo retornando de forma tardia, a possibilidade de não termos jogos com público em 2020 é bem real e bastante discutida.
SAÚDE DOS JOGADORES E FUNCIONÁRIOS Uma ação de jogo envolve ao menos 200 pessoas entre atletas, comissão, funcionários dos clubes, funcionários do estádio, agentes de segurança, arbitragem e federação. Mesmo que a maioria dos jogadores não estejam no grupo de risco (sim, existem atletas diabéticos e até mesmo hipertensos), técnicos, membros de comissão e de outras áreas estariam a se colocar em risco.

Aos 26 anos, o argentino Paulo Dybala, foi testado positivo e falou das dores musculares e da falta de ar, não aguentava 5 minutos de treino sem sentir extrema fadiga. Mesmo em alto rendimento e com preparo físico, poderíamos ter um pico de infecções entre jogadores, alguns podendo inclusive ter danos permanentes no pulmão e em outros órgãos, já que é um dos efeitos do vírus.
FINANCEIRO Talvez a questão mais debatida até aqui. No início da pandemia, o técnico italiano Carlo Ancelotti comentou que ao fim da doença teríamos um futebol mais parecido com sua origem. De fato, com apenas 1 mês sem atividade, os clubes começam a sentir o aperto financeiro. Na Escócia, os clubes da Premiership (Primeira Divisão) estão desesperados e alguns até falam em falência caso a quarentena permaneça.

De acordo com o site Transfermarkt, todos os 100 clubes mais valiosos do planeta perderam substancial valor de mercado. A Premier League perdeu mais de 2 bilhões de euros em valor. A crise não afeta apenas na Europa, no Brasil o caminho é o mesmo. Patrocinadores e fornecedores de material não pagaram parcelas, clubes perderam acordos, não só pequenos, o Flamengo perdeu o Azeite Royal (que também rompeu com Botafogo, Fluminense e Vasco) e tem parcelas da Adidas à receber, sem nenhuma expectativa de normalização.

Além disso, as cotas de transmissão estão paradas e não serão pagas em caso de não terem partidas jogadas. Com o calendário ficando cada vez mais apertado, até jogos a cada 48 horas são debatidos (contra a vontade dos jogadores), mas parece inevitável um achatamento do Brasileiro ou uma remodelação entrando em 2021. Se houver um menor número de jogos, as cotas televisivas sofrerão uma diminuição substancial, já que são pagas por número de jogos.

Problema maior ainda terão clubes menores e de interior que vivem de parcerias com governos, especialmente municipais. Com o avanço do Covid, é possível que essas parcerias sejam terminadas indefinitivamente e à exemplo de Santo André, onde o Bruno José Daniel virou hospital de campanha, os estádios atendam as necessidades de saúde da população.

Para os clubes que vivem do Sócio Torcedor e venda de materiais, o problema será a condição do torcedor em manter sua fidelidade ao clube. Entrando no 2º mês de quarentena, a população começa a sentir cada vez mais os efeitos da grande crise econômica que virá pela frente e o futebol deixará de ser prioridade. O Fortaleza anunciou uma Rede de Proteção em quem pagar esse mês, ganhará mais 2 de graça no Sócio.
CONTRATOS E CONTRATAÇÕES O fato é que a redução de salários é uma necessidade e não irá parar por aí, os clubes devem reduzir os valores ainda mais em breve e para os jogadores não haverá opção, ou será isso ou não receber absolutamente nada. Alguns clubes falam em contratação e à exemplo do Cruzeiro, até aproveitaram esse período para fechar com jogadores, como a Raposa fez com Régis.

Os clubes no momento não tem a menor expectativa de normalização das contas e se não repensarem os contratos rapidamente, terão problemas futuros. Com o avanço da doença, as dívidas, a ideia é que só consigamos um senso de normalidade financeira no futebol por volta 2022/2023, afinal a ideia é entrar e sair de quarentenas até a descoberta e distribuição em massa da vacina, o que ainda deve levar ao menos 1 ano. Com a queda de receita no futebol da Europa e da Ásia, grandes vendas não devem acontecer nessa janela ou até nas próximas duas ou três.

Qualquer clube responsável nesse momento deve estar revendo contratos com seus profissionais, bolando alternativas para se ter dinheiro, evitando gastos extras e já planejando pela grande chance de algo similar acontecer em 2021.

FUTEBOL PÓS-QUARENTENA Ontem, o Executivo de Futebol do Sampaio Corrêa, Juliano Camargo, falou em um seminário chamado "Footalk", sobre as dificuldades da malha áerea brasileira em condições normais e que não fazia ideia de como será após o fim da pandemia com aviões parados por todo país e a crise gigantesca que enfrentarão por conta da falta de voos agora e depois, pela população precisar de alguns (bons) meses para se reerguer minimamente na economia.

Além disso, com problemas na economia significa que se os ingressos e sócios permanecerem no mesmo valor, teremos menos pessoas no estádio e menor renda, além de que tentando organizar as contas, patrocínios não pagarão tanto e serão ainda mais escassos do que já são (acredite, são bem difíceis de se encontrar por um valor justo).
CONSIDERAÇÕES FINAIS O fato é que teremos mudanças substanciais no futebol (e no esporte em geral) nos próximos meses. Estádios com portões fechados, uma pausa nas contratações e salários milionários, clubes com arrecadações bem menores (e outros gastando o que não tem, prometendo o que não devem e pagando na frente com juros na frente) e um marketing mais voltado ao que podemos fazer pelos clubes do que o clube pode nos ofertar, essas devem ser realidades em um futuro mais próximo. Será que irá voltar ao que conhecíamos até mês passado? Difícil dizer, porém no imediato, parece uma volta ao passado de forma forçada.

Por Luca Laprovitera  Facebook

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Os excluídos e vencedores


Na língua inglesa existe uma palavra, melhor, uma expressão chamada "Outcast", para aqueles que não se enquadram em algum grupo social, os excluídos, os diferentes, os renegados.

Para descrever o Fortaleza podemos usar várias expressões, mas a que mais usamos é superação. O clube renasceu para brilhar após seus piores momentos. Foi assim nos anos 40, quando passou 7 anos sem títulos para ser campeão estadual invicto e do Nordeste em 1946.

Foi assim ao vencer o rival três vezes em uma semana em 1974, ou depois de quase nove anos montar uma esquadrão e ser bicampeão em 1982 e 1983. Ressurgiu das cinzas em 2000, superou apenas 2% de possibilidades em 2004, salvou-se de um provável rebaixamento em 2008, tornou um 4x1 em 4x4 e título. Viveu infernais oito anos na C, para no ano de maior desconfiança subir e em menos de duas temporadas conquistar a Série B e a Copa do Nordeste.

Porque o Fortaleza se supera tanto? De onde sai tanta resiliência para vencer tantos obstáculos em mais de 100 anos de história? Para saber vencer, é preciso primeiro saber perder e isso que traz tanta beleza e paixão neste clube.

Ao longo de sua história, seus principais heróis foram renegados, rebaixados, questionados e deram a volta por cima, criaram a mística daquelas camisas. Sapenha, por vinte anos titular do Fortaleza foi diversas vezes duvidado pelo gosto da vida boêmia, no fim de sua carreira foi titular do título estadual e regional, além do vice da Taça Brasil, em 1960.

O baixinho Clodoaldo, negado pelo rival pela estatura, virou um dos maiores jogadores de todos os tempos do nosso futebol. Mozart quase aposentado por lesão, ainda brilhou nos anos 60 pelo Leão do Pici. Denilson, Maizena, Daniel Frasson, onde alguns davam como acabados para o futebol, vitais na reconstrução do clube nos anos 2000.

Rinaldo, que chegou sem muito alarde, com certa desconfiança, foi herói tricolor e fez mais de 100 gols com essa camisa. Gustavo, criticado pela má fase antes do clube, voltou no Pici a ser Gustagol, artilheiro do Brasil.

E 2019 temos várias peças assim. Rogério Ceni, um dos maiores goleiros do país, demitido e diminuído pela direção do clube em que fez vida, como ele mesmo diz: "reviveu para o futebol" no Fortaleza. Marcelo Boeck, sobrevivente na Chapecoense, ídolo no Pici. Marcelo Paz, tão criticado como Diretor de Futebol, saiu abaixo de xingamentos de torcedores em 2016 após novamente não subirmos, se torna um dos maiores presidentes da história do clube. Romarinho, xingado, vendido, humilhado, hoje exaltado, guerreiro, nunca abaixou a cabeça.

Como esquecer da tão leal e fiel torcida? 8 anos sofrendo, mas nunca abandonando e a cada ano crescendo. Fez do seu purgatório aprendizado, viu do seu sofrimento uma prova de amor e unida colhe os frutos de sua paciência. Até onde vai o limite do Fortaleza dos renegados? Não sabemos, mas enquanto houver humildade, paixão e vontade de vencer, o céu será o limite.

Por Luca Laprovitera 

terça-feira, 23 de abril de 2019

O MOMENTO CHEGOU

(Foto: Leonardo Medeiros/Fortaleza EC)


Domingo começa a caminhada do Fortaleza na Série A. Será um choque de realidade, nos últimos 10 anos ao menos, o Leão entrava em campo quase sempre como favorito, ao menos em proximidade ou igualidade com seu adversário.

O torcedor agora terá de se acostumar com nova postura, com nova cobrança, com uma nova realidade e não será fácil. Desde que Jorge Mota foi eleito no fim de 2014, junto com Enio Mourão e Evangelista Torquato, foi-se levado um jovem chamado Marcelo Paz como Diretor de Futebol, a partir dali se dava seguinte, firme, em um planejamento de futebol que hoje vemos.
Em 2014, Marcelo Chamusca é contratado pelo Fortaleza. O clube traz nomes experientes como Corrêa e Marcelinho Paraíba, emergentes como Guto, fixa no time principal Walfrido e Edinho, mantém Robert e Waldison. Pela primeira vez vemos o 4-3-3/4-2-4 que hoje estamos acostumados.

Chamusca usava fortemente suas pontas com Edinho e Waldison, além de laterais fortemente ofensivos como Tiago Cametá e Fernandinho, um centroavante mais forte, brigador (e fazedor de gols), além de sempre ter volantes com boa saída. A mudança de Diretoria não mudou a ideia, tanto que Chamusca mesmo sem subir teve seu contrato renovado.

Porém, com proposta do Atlético-GO, o técnico acabou saindo antes mesmo do início da pré-temporada. Nedo Xavier, um técnico mais reativo assumiu. Foi recebendo nomes como Pio, Daniel Sobralense, Wanderson, Everton, Dudu Cearense, mas não conseguiu dar cara ao time, e Chamusca sem sucesso em Goiás, retornou.

O 4-1-4-1, que se tornava um 4-3-3/4-4-2 fez muito sucesso durante o primeiro semestre. Pio e Everton abertos, um volante de mais saída como Vinícius Hess e Corrêa de regista, armando o jogo a partir da defesa. Sobralense jogava mais recuado, como um meia central, muitas vezes na mesma linha de Hess para facilitar o jogo dos pontas, mas sacrificando o centroavante. O jogo mudou com a queda de rendimento de Pio, trazendo Sobralense para a direita, e trazendo Maranhão mais a frente, além de Auremir ganhar a vaga de Hess no meio.

Os times de Chamusca tinham como característica a posse de bola, as triangulações pelas pontas, o forte jogo aéreo nos cruzamentos de Corrêa, Pio e Everton, parece com algo que conhecemos hoje?

Outro ano sem subir e a diretoria aposta em Flávio Araújo. Técnico local, também sem característica de jogo mais "moderno", mas ofensivo, aposta em um meio-campo mais dinâmico e de posse com Corrêa, Dudu Cearense, Daniel Sobralense, Elias e Everton, com Felipe e Jean Mota nas laterais e experiente, mas ágil Anselmo de referência.

O time faz muitos gols, mas também sofre na recomposição e logo os problemas aparecem, forçando a busca por um volante. Com resultados irregulares, Marquinhos Santos chega ao Pici e logo dá nova cara ao time. Fecha um forte linha de 4 e usa o elenco de forma inteligente, defendendo com precisão e usando o meio-campo de ágil contra golpe com perigoso 4-1-4-1 defendendo, onde Juliano fazia frente a zaga, com Dudu Cearense e Jean Mota centralizados, Everton e Juninho nas pontas.

Atacando no 4-2-3-1, subindo Jean como um terceiro homem de meio-campo, tendo sempre opções como Pio, Corrêa e Daniel Sobralense. Com as saídas de Jean e Dudu, o time mudou de forma e de esquema. Corrêa e Daniel voltavam ao time titular. Sobralense se tornou um enganche, com o time defendendo no 4-4-2 e atacante no 4-2-4, com Sobralense na sobra de Anselmo, Juninho (e depois Rodrigo Andrade) e Everton nas pontas, além das chegadas fortes de Corrêa.

Marquinhos sai antes do mata-mata, Hemerson Maria assume e mantém tudo, mas não sobe. Terceiro ano sem subir, crise, eleições conturbadas, Marcelo Paz sai debaixo de críticas da Direção de Futebol, Enio Mourão assume e contratam César Sampaio como Executivo, além da manutenção de Maria no cargo de treinador.

Em 2017, o Fortaleza começa a montar um elenco mais reativo, de jogadores mais focado em um jogo de força do que de técnica. Mesmo assim, Maria fixa o 4-3-3 que nos seguiu por duas temporadas inteiras. Dois pontas velozes, dois volantes saindo pro jogo, um meia central para distribuição e recomposição, dois laterais com força física e presença de área.

Maria não atinge resultados e sai, César Sampaio pede demissão e Marcelo Paz volta ao posto de Diretor de Futebol, Marquinhos retorna, não consegue dar cara ao time e também sai. A Diretoria se desliga, Marcelo Paz assume com Marcello Desidério uma espécie de presidência interina até Luís Eduardo Girão assumir o cargo. Paz se torna o 1º vice.

Paulo Bonamigo chega para a Série C e mantém a forma de jogo. Para ganhar qualidade na saída de bola, improvisa Rodrigo Mancha na zaga, aposta em laterais altos como Felipe e Bruno Melo, no meio, 3 volantes, Pablo para fazer a troca com Felipe pela direita, algo que já acontecia no início do ano com Jefferson. Uchôa como primeiro homem para sair com a bola e Adenilson para maior criação.

O time tinha posse, mas não tinha criatividade, mas tinha ágil contra-golpe e assim fez ótimo primeiro turno. Porém ficou pragmático, quase se complica e Bonamigo cai faltando 3 rodadas para o fim da Primeira Fase. Vem Antônio Carlos Zago que faz apenas uma alteração, sai Adenilson e entra Leandro Lima. O time começa a rodar a bola, segurar o jogo, o 4-3-3 não se torna temeroso, mas eficaz, mesmo sem grandes finalizadores, o Fortaleza assim finalmente sobe.

Sem Zago que decidiu voltar para o Juventude, Paz agora presidente pela renúncia de LEG, mantém o plano de um time dinâmico, moderno, de posse e aposta alto, sem medo, e acerta com Rogério Ceni. O casamento é perfeito, mesmo demorando à engrenar.

O Fortaleza buscava a evolução desse tipo de jogo, buscou jogadores para uma Série B condizentes com essa característica, trouxe o técnico disponível no mercado com maior capacidade de introduzir. As mudanças físicas, táticas, ideológicas que eram pensadas e sonhadas desde 2015 finalmente vão saindo do papel.

O começa é difícil, Ceni demora a achar um esquema, testa 3 zagueiros, 3 volantes, mas é na variação do 4-3-3/4-5-1 que acha o time campeão da Série B de forma arrasadora. Em 2019, o time não demorou tanto a se achar, mas agora irá precisar se redescobrir.

Na Série A tem a missão de manter essa identidade de jogo de pé em pé, do toque de bola, da velocidade, mas com maior cuidado com a defesa, o 4-2-4 que vimos lá em 2014 e hoje voltou a evidência, não com um meia mais ofensivo como Marcelinho Paraíba que jogava como um segundo atacante, mas com Júnior Santos e sua velocidade auxiliado por pontas construtivos como Osvaldo e Edinho, ou até mesmo afrontosos como Marcinho, terá a opção mais a frente de um 9 mais fixo e guerreiro como Wellington Paulista ou veloz e infiltrador como Kieza.

As laterais continuam altas, ou com Tinga e o possível retorno de Bruno Melo, ou ao menos com a boa impulsão de Carlinhos. Os volantes que jogam de lateral e até ponta, sempre de boa saída como Felipe, Araruna, Gabriel Dias ou Paulo Roberto, até mesmo Dodô ou Marlon. A posse de bola de 60-70% não irá aparecer na boa maioria dos jogos, o time irá "sofrer" como dizemos no futebol.

De fato iremos ver um Fortaleza novo, mas que já vimos, uma repaginada do nosso velho conteúdo com o melhor escritor possível. Nas mãos de Ceni teremos uma nova obra, de velhas novidades, mas que encanta e que terá o compromisso de fazer orgulho, independente do resultado, desde que se jogue para cima, como Fortaleza, com raça, com a identidade que os mais velhos viam nos times dos anos 70 com Moésio Gomes em o quarteto de ouro, ou da Jangada Atômica de Ferdinando no início da década passada, mesmo que jogue se defendendo, jogando para frente, um time que não joga só com resultado e sim com ideias.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Um agradecimento pela luta dos últimos 10 anos. Time de guerreiros!


Sei que tem uma final pelo meio, mas é difícil não pensar no que vem pela frente, por tudo que passamos nesse caminho tortuoso, doloroso, longo, mas que nos tornou ainda mais apaixonados. 

Foram quase dez anos entre a primeira foto e o que vai acontecer no próximo dia 28 de abril. Foram exaustivos 3.445 dias passados, entre o desespero e o sonho. Em uma década que muitos pensavam que íamos apequenar, mas crescemos, renascemos das cinzas como uma Fênix, ave mitológica, que se não fosse o tão enraizado Leão, cairia como uma luva para representar o Fortaleza Esporte Clube. 

Hoje só quero fazer algo que queria fazer à um bom tempo. Gostaria apenas agradecer todos que fizeram parte disso. Podem pensar: "Agradecer? Tá louco!?". Talvez um pouco, ou talvez os anos que lá dentro passei me mostraram algo diferente do que como torcedor eu era acostumado. 

Desde cedo a imprensa nos vende o futebol como produto de mídia, cheio de heróis, vilões e claro, todos compramos a narrativa, afinal como não vilanizar aquele zagueiro que não subiu com o atacante adversário e nos custou o título? Ou o árbitro que não marcou o pênalti da classificação? Como não idolatrar o centroavante que fuzilou as redes para um heroico acesso? Como não? O futebol é cheio de céus e infernos. 

Com o tempo, vivendo esse clima você aprende que todo mundo ali é um herói. Cada atleta, cada funcionário tem sua história, cada um é herói dela. Lesões, perdas, abdicações, é a vida no futebol é dura e passa longe do glamour que é vendida. É uma vida onde se lida muito mas com o fracasso do que com a glória. Um ano de alegrias vai por água abaixo por conta de 1 segundo, de um passo em falso, um momento mal calculado. 

Nesse tempo mais de 200 jogadores vestiram a camisa tricolor. 25 treinadores sentaram no banco de reservas, entre oficiais e interinos, além de 8 presidentes. Nomes ilustres e imortais como Fernando Coração de Leão, Salvino, Manoelzinho, Raimundo Arraes, Dona Marizinha, Zé Candido Fontenele, Roberto Studart, Tia Mara, tantos outros apaixonados e ilustres tricolores nos deixaram nesse período e nos deixaram um bocado órfãos. 

Tanta coisa mudou, até mesmo nosso amor pelo Fortaleza. Mesmo em meio a tanto sofrimento, ele cresceu. Cresceu de uma forma que ninguém imaginava. Nossa torcida fiel ficou ainda mais, liderou médias de público, teve recorde de presença no país em mais de um ano. As belas festas ficaram profissionais e os mosaicos ficaram conhecidos mundo afora. O PV, nossa casa acabou ficando pequeno para o nosso tamanho. O Pici, nosso lar, deixou de ser estádio e está virando um Centro de Excelência. 

Evito dizer que fracassamos, apenas maturamos, criamos consciência e nutrimos nossa paixão para o momento certo. O tempo que se dizia perdido, aos poucos, com trabalho bem feito vem se recuperando, porque o futebol é assim, cíclico, de altos e baixos. Se um dia estivemos aquém, iremos além!

Por fim, gostaria apenas de agradecer cada torcedor, funcionário, atleta, dirigente, subindo ou não, tendo uma passagem marcante pela torcida ou apenas tendo o prazer de dividir por algum tempo esse amor conosco, cada um teve sua importância, cada um veio com desejo de subir, mas nem sempre é como queremos, tudo tem seu tempo. 

Muito obrigado pela luta, pela garra, nos desculpem pelas críticas, vaias, pelos xingamentos, por taxarem de vendidos ou fracados, ninguém nesse clube jamais será merecedor de alcunhas como essas últimas, viver o Fortaleza já te faz um vencedor, mas são dores de torcedor. Independe do que venha no Clássico, seja título ou não. De como jogaremos durante a Série A, já somos vencedores, e unidos vamos continuar mostrando isto à todos, só dependemos de nós!

Por Luca Laprovitera

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Paulo Isidoro no Fortaleza (2005/2007-2008/2010)




127 jogos
35 gols
Campeão Cearense em 2005, 2008 e 2010
Artilheiro do Campeonato Cearense de 2008 (14 gols)

NÚMEROS POR TEMPORADA

Campeonato Cearense 2005 - 5 jogos e 1 gol
Copa do Brasil 2005 - 1 jogo
Série A 2005 - 28 jogos e 1 gol
Série B 2007 - 13 jogos e 4 gols
Copa do Brasil 2008 - 4 jogos
Campeonato Cearense 2008 - 23 jogos e 14 gols
Série B 2008 - 15 jogos e 9 gols
Campeonato Cearense 2010 - 17 jogos e 5 gols
Copa do Brasil 2010 - 3 jogos
Série C 2010 - 8 jogos
Nordestão 2010 - 9 jogos e 1 gol
Fares Lopes 2010 - 1 jogo

Campeonato Cearense - 45 jogos e 20 gols
Copa do Brasil - 8 jogos
Série A - 28 jogos e 1 gol
Série B - 28 jogos e 13 gols
Série C - 8 jogos
Copa do Nordeste - 9 jogos e 1 gol
Copa Fares Lopes - 1 jogo

2005 - 34 jogos e 2 gols
2007 - 13 jogos e 4 gols
2008 - 42 jogos e 23 gols
2010 - 38 jogos e 6 gols

LISTA DE PARTIDAS DISPUTADAS PELO FORTALEZA


CAMPEONATO CEARENSE 2005 - 5 jogos e 1 gol
01) Fortaleza 1x0 Tiradentes (09/03/2005)
02) Fortaleza 3x0 Ceará (13/03/2005) - 1 gol
03) Fortaleza 2x1 Icasa (23/03/2005)
04) Fortaleza 3x3 Itapipoca (26/03/2005)
05) Icasa 3x1 Fortaleza (10/04/2005)

COPA DO BRASIL 2005 - 1 jogo
01) Ituano 2x0 Fortaleza (16/03/2005)

SÉRIE A 2005 - 28 jogos e 1 gol
01) Fortaleza 2x1 Ponte Preta (14/05/2005)
02) Fortaleza 2x0 Brasiliense (21/05/2005)
03) Internacional 1x0 Fortaleza (29/05/2005)
04) Paraná 3x0 Fortaleza (11/06/2005)
05) Fortaleza 2x1 Corinthians (03/07/2005)
06) Paysandu 1x2 Fortaleza (09/07/2005) - 1 gol
07) Palmeiras 1x2 Fortaleza (17/07/2005)
08) Fortaleza 1x4 Atlético-MG (20/07/2005)
09) Goiás 2x1 Fortaleza (23/07/2005)
10) Fortaleza 2x0 Juventude (27/07/2005)
11) Cruzeiro 3x0 Fortaleza (30/07/2005)
12) Fortaleza 5x2 Figueirense (04/08/2005)
13) São Paulo 3x2 Fortaleza (14/08/2005)
14) Coritiba 2x0 Fortaleza (25/08/2005)
15) Fortaleza 4x2 Vasco (28/08/2005)
16) Ponte Preta 2x1 Fortaleza (11/09/2005)
17) Brasiliense 0x2 Fortaleza (18/09/2005)
18) Fortaleza 1x4 Atlético-PR (05/10/2005)
19) Corinthians 3x0 Fortaleza (08/10/2005)
20) Atlético-MG 2x3 Fortaleza (26/10/2005)
21) Fortaleza 1x1 Goiás (29/10/2005)
22) Juventude 2x0 Fortaleza (02/11/2005)
23) Fortaleza 3x1 Cruzeiro (05/11/2005)
24) Figueirense 1x0 Fortaleza (12/11/2005)
25) Flamengo 3x0 Fortaleza (16/11/2005)
26) Fortaleza 5x1 Fluminense (20/11/2005)
27) Fortaleza 1x0 São Paulo (27/11/2005)
28) Botafogo 2x0 Fortaleza (04/12/2005)

SÉRIE B 2007 - 13 jogos e 4 gols
01) Fortaleza 2x0 Criciúma (22/09/2007) - 1 gol
02) Brasiliense 1x3 Fortaleza (29/09/2007) - 1 gol
03) Fortaleza 4x1 Coritiba (02/10/2007)
04) Avaí 0x2 Fortaleza (06/10/2007)
05) Ipatinga 1x1 Fortaleza (13/10/2007)
06) Fortaleza 2x1 Vitória (20/10/2007)
07) Ituano 1x0 Fortaleza (27/10/2007)
08) Santo André 1x1 Fortaleza (30/10/2007)
09) Fortaleza 2x0 Grêmio Barueri (03/11/2007)
10) Remo 3x2 Fortaleza (10/11/2007) - 1 gol
11) Fortaleza 0x1 São Caetano (13/11/2007)
12) Fortaleza 2x1 Paulista (17/11/2007)
13) Marília 1x2 Fortaleza (24/11/2007) - 1 gol

COPA DO BRASIL 2008 - 4 jogos
01) América-SE 0x0 Fortaleza (27/02/2008)
02) Fortaleza 4x0 América-SE (05/03/2008)
03) Fortaleza 1x2 Corinthians (19/03/2008)
04) Corinthians 2x0 Fortaleza (03/04/2008)

CAMPEONATO CEARENSE 2008 - 23 jogos e 14 gols
01) Boa Viagem 2x2 Fortaleza (12/01/2008) - 1 gol
02) Fortaleza 4x1 Itapipoca (16/01/2008)
03) Icasa 2x1 Fortaleza (20/01/2008)
04) Ferroviário 3x4 Fortaleza (23/01/2008)
05) Fortaleza 1x1 Ceará (27/01/2008) - 1 gol
06) Fortaleza 4x0 Horizonte (02/02/2008) - 2 gols
07) Fortaleza 1x3 Horizonte (08/02/2008)
08) Horizonte 1x3 Fortaleza (11/02/2008) - 3 gols
09) Icasa 2x1 Fortaleza (14/02/2008)
10) Fortaleza 1x1 Icasa (17/02/2008) - 1 gol
11) Fortaleza 1x1 Boa Viagem (21/02/2008)
12) Guarani de Juazeiro 1x1 Fortaleza (24/02/2008)
13) Fortaleza 3x1 Icasa (02/03/2008) - 2 gols
14) Ceará 1x3 Fortaleza (09/03/2008)
15) Fortaleza 5x1 Quixadá (15/03/2008) - 1 gol
16) Fortaleza 3x1 Ferroviário (23/03/2008)
17) Fortaleza 3x0 Uniclinic (26/03/2008)
18) Fortaleza 1x0 Ferroviário (06/04/2008)
19) Ferroviário 0x0 Fortaleza (12/04/2008)
20) Fortaleza 3x1 Horizonte (20/04/2008) - 1 gol
21) Horizonte 1x0 Fortaleza (27/04/2008)
22) Icasa 0x2 Fortaleza (01/05/2008) - 1 gol
23) Fortaleza 4x2 Icasa (04/05/2008) - 1 gol

SÉRIE B 2008 - 15 jogos e 9 gols
01) Bahia 1x1 Fortaleza (10/05/2008)
02) Fortaleza 4x1 Paraná (17/05/2008) - 2 gols
03) Fortaleza 5x1 Gama (23/05/2008) - 3 gols
04) Corinthians 2x0 Fortaleza (31/05/2008)
05) Fortaleza 2x2 Avaí (06/06/2008)
06) Juventude 1x1 Fortaleza (10/06/2008)
07) Criciúma 2x1 Fortaleza (20/06/2008)
08) Fortaleza 0x3 Ponte Preta (19/07/2008)
09) CRB 0x3 Fortaleza (22/07/2008)
10) Marília 4x2 Fortaleza (25/07/2008) - 1 gol
11) Fortaleza 2x0 Santo André (29/07/2008) - 1 gol
12) São Caetano 3x1 Fortaleza (05/08/2008)
13) Fortaleza 2x1 Grêmio Barueri (09/08/2008)
13) Fortaleza 1x2 Bragantino (12/08/2008) - 1 gol
14) Brasiliense 0x0 Fortaleza (16/08/2008)
15) Fortaleza 5x1 Bahia (23/08/2008) - 1 gol

CAMPEONATO CEARENSE 2010 - 17 jogos e 5 gols
01) Fortaleza 2x0 Horizonte (27/01/2010)
02) Ceará 0x0 Fortaleza (31/01/2010)
03) Guarani de Juazeiro 2x1 Fortaleza (03/02/2010)
04) Fortaleza 3x2 Ferroviário (06/02/2010)
05) Fortaleza 3x1 Boa Viagem (13/02/2010)
06) Itapipoca 0x4 Fortaleza (17/02/2010)
07) Ferroviário 1x2 Fortaleza (21/02/2010)
08) Fortaleza 4x4 Guarany de Sobral (28/02/2010)
09) Fortaleza 3x4 Guarany de Sobral (05/03/2010)
10) Fortaleza 3x1 Crato (07/03/2010) - 1 gol
11) Quixadá 0x2 Fortaleza (10/03/2010) - 1 gol
12) Fortaleza 1x3 Ceará (21/03/2010) - 1gol
13) Fortaleza 2x1 Guarani de Juazeiro (25/03/2010) - 1 gol
14) Ferroviário 1x1 Fortaleza (28/03/2010)
15) Fortaleza 0x0 Itapipoca (07/04/2010)
16) Fortaleza 1x0 Ceará (25/04/2010) - 1 gol
17) Ceará 2x1 Fortaleza (02/05/2010)

COPA DO BRASIL 2010 - 3 jogos
01) Tigres do Brasil 2x2 Fortaleza (10/02/2010)
02) Fortaleza 3x2 Tigres do Brasil (24/02/2010)
03) Fortaleza 2x0 Guarani (17/03/2010)

SÉRIE C 2010 - 8 jogos
01) Fortaleza 0x0 Águia de Marabá (18/07/2010)
02) Rio Branco-AC 0x0 Fortaleza (26/07/2010)
03) São Raimundo-PA 2x3 Fortaleza (29/07/2010)
04) Fortaleza 1x1 Paysandu (07/08/2010)
05) Paysandu 1x1 Fortaleza (22/08/2010)
06) Fortaleza 2x1 São Raimundo-PA (29/08/2010)
07) Fortaleza 1x1 Rio Branco-AC (11/09/2010)
08) Águia de Marabá 1x1 Fortaleza (19/09/2010)

COPA DO NORDESTE 2010 - 9 jogos e 1 gol
01) Fortaleza 2x2 Santa Cruz (09/06/2010)
02) Botafogo-PB 0x1 Fortaleza (13/06/2010)
03) Fortaleza 2x0 Vitória (24/06/2010)
04) Fortaleza 0x2 Ceará (30/06/2010)
05) Náutico 4x1 Fortaleza (04/07/2010)
06) Fortaleza 0x1 Treze (07/07/2010)
07) Bahia 1x0 Fortaleza (03/08/2010)
08) Fortaleza 0x1 Confiança (18/08/2010)
09) Fluminense de Feira-BA 0x1 Fortaleza (12/10/2010) - 1 gol

COPA FARES LOPES 2010 - 1 jogo
01) Fortaleza 1x1 Ferroviário (05/09/2010)

quinta-feira, 28 de junho de 2018

México e o pesadelo das Oitavas

Com 16 participações, o México é a seleção não-campeã que mais jogou na Copa do Mundo, no contexto geral apenas Brasil, Alemanha, Itália e Argentina foram à mais Copas do que os mexicanos, que perderam cinco Copas, três por não classificação, uma por banimento e outra por desistência.
Os melhores resultados foram quando receberam o mundial em 1970 e 1986, Quartas-de-Final. Em 1986, pela primeira vez a Copa ganhava o modelo atual de grupos e Oitavas, na oportunidade o México bateu a Bulgária por 2x0 e em seguida cairia para a Alemanha nos pênaltis.
Depois de cumprir punição em 1990 pelo Escândalo dos Cachirules onde a Federação adulterou a idade de jogadores para atuarem em partidas da Seleção Sub-20, os mexicanos jogaram à Copa e o pesadelo começou em 1994. Desde então, em TODOS os torneios, o México sempre avançou de fase para ser eliminado nas Oitavas-de-Final, sempre de forma traumática.
Em 1994, a derrota veio justamente para a Bulgária que eliminaram oito anos antes, 1x1 no tempo normal e queda nos pênaltis. Quatro anos depois, em 1998, a boa geração de Blanco e Hernández enfrentava a Alemanha, e Hernández abria o placar no início do 2º tempo. Mas não foi o suficiente e os alemães virariam com Bierhoff aos 41 minutos.
Em 2002, confronto contra os rivais dos Estados Unidos. A queda foi dolorosa, os americanos comandaram o jogo e venceram por 2x0 com show de Landon Donovan. Em 2006, era a vez da Argentina, Rafa Márquez abriu o placar aos 6 minutos e Crespo empataria quatro minutos depois. O jogo iria para a prorrogação, e mesmo o México indo bem, Maxi Rodríguez faria o gol que levaria o país a mais uma vez a volta para casa mais cedo.
2010 e novamente a Argentina frente aos mexicanos. O México era melhor até que o juiz valida gol irregular de Carlos Tévez que estava grosseiramente impedido após passe de Lionel Messi. A decisão transformou a partida em uma pilha de nervos e o México em presa fácil, 3x1 no fim das contas e mais uma eliminação.
Chega 2014, era a vez da Holanda. Giovanni dos Santos abre o placar no início da segunda etapa. Os mexicanos se defendem bravamente, até que uma falha de marcação deixa Sneidjer livre para empatar aos 42 do 2º tempo, 1x1.
O nervosismo era claro, qualquer outra seleção conseguiria levar o jogo para prorrogação e descansar, mas o histórico pesava. Eu que estava na imprensa naquele dia em Fortaleza, via o desespero em cada um dos jornalistas mexicanos na transmissão. Eles estavam certos, o juiz erroneamente assinala pênalti de Rafa Márquez em Robben, Huntelaar aos 49 minutos do 2º tempo bate forte, era o fim mais uma vez, a Holanda virava ainda nos acréscimos e o México voltava para casa, 2x1.
Alguns xingavam em plena transmissão, outros choravam no ar, uma emissora até mesmo abandonou a transmissão após o jogo, mas de fato o histórico pesa. Quando o México entrar em campo na próxima segunda-feira, em Samara, o Brasil não será o único adversário, o histórico de jogar como nunca e perder como sempre, o fantasmas das Oitavas estará assombrando cada minuto do time em campo.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

BORA NA COPA - PANAMÁ


Junto com a Islândia, o Panamá faz a lista dos estreantes na Copa do Mundo da Rússia. A atual geração é a mais vencedora da história do país com nomes como Baloy (ex-Grêmio e Atlético-PR), Blas Pérez e Luis Tejada, os panamenhos disputaram todas as Copas Ouro desde 2005, chegando em duas finais e conquistaram a Copa Centroamericana em 2009, conquistando o sucesso completo ao chegar na Copa de 2018.

Depois de deixar a Jamaica de fora na Fase de Grupos, o Panamá conseguiu resultados importantes no hexagonal. Segurou o México conquistando um ponto, venceu Honduras fora de casa e a virada por 2x1 contra a Costa Rica na última rodada classificou a equipe para o mundial e tornou o dia 10 de outubro feriado nacional. A campanha dos panamenhos nas Eliminatórias foi de 16 jogos, 6 vitórias, 5 empates e 5 derrotas.

Apelido: Los Canaleros
Federação: Federación Panameña de Fútbol (FEPAFUT) 
Confederação: CONCACAF
Mais jogos: Gabriel Gómez, 143 jogos
Mais gols: Blas Pérez e Luis Tejada, 43 gols
Código FIFA: PAN
Ranking da FIFA: 55º lugar
Participações em Copa: 1ª participação
Melhor posição: Estreante
Material esportivo: New Balance
Capitão: Román Torres  
Expectativa: Primeira Fase

CONVOCADOS
GOLEIROS: Alex Rodríguez (San Francisco-PAN), Jaime Penedo (Dínamo Bucareste-ROM) e José Calderón (Chorrillo-PAN)

DEFENSORES: Adolfo Machado (Houston Dynamo-EUA), Éric Davis (Dunajska Streda-ESL), Felipe Baloy (Municipal-GUA), Fidel Escobar (New York Red Bulls-EUA), Hárold Cummings (San José Earthquakes-EUA), Luis Ovalle (Olimpia-HON), Michael Murillo (New York Red Bulls-EUA) e Román Torres (Seattle Sounders-EUA)

MEIAS: Aníbal Godoy (San José Earthquakes-EUA), Armando Cooper (Universidad de Chile-CHI), Gabriel Gómez (Bucaramanga-COL), José Luis Rodríguez (Gent II-BEL), Ricardo Ávila (Gent II-BEL), Valentín Pimentel (Plaza Amador-PAN) e Yoel Bárcenas (Cafetaleros-MEX)

ATACANTES: Abdiel Arroyo (Alajuelense-CSR), Blas Pérez (Municipal-GUA), Gabriel Torres (Huachipato-CHI), Ismael Díaz  (Deportivo La Coruña-ESP) e Luis Tejada (Sports Boys-ARG)

PROVÁVEL TIME TITULAR (4-4-2)

TÉCNICO

O colombiano Hernán Darío Gómez já é conhecido de quem gosta do futebol latino. Auxiliar de Francisco Maturano no título do Atlético Nacional da Libertadores de 1989, Gómez assumiu o comando da equipe dois anos depois, ficando até 1993. Comandou a Colômbia entre 1995 e 1998, levando a equipe para a disputa da Copa do Mundo. Assumiu o Equador no seguinte, levando os equatorianos a sua primeira Copa, em 2002. Passou pela Guatemala, pelo Santa Fé, pelo Independiente Medellín e retornou a Seleção Colombiana sem fazer grande impacto. Assumiu o Panamá em 2014, levando o time às semifinais da Copa Ouro no ano seguinte e classificando o país para seu primeiro mundial. Pragmático, o Panamá de Gómez é talvez a equipe mais frágil dessa Copa do Mundo.

ARTILHEIRO

Aos 36 anos, o atacante Luis Tejada é ao lado de Blas Pérez o maior artilheiro da Seleção do Panamá com 43 anos. Porém, Tejada com 105 partidas disputadas, treze a menos do que Pérez, tem a melhor média de gols. Atacante de bom posicionamento e mortal dentro da grande área, Tejada acabou perdendo espaço na atual equipe e deve ser reserva pelo menos no início do mundial. Mas com sua experiência e história deve entrar sempre no decorrer das partidas para dar nova dinâmica e tentar levar perigo ao gol adversário.

CAPITÃO

Desde 2005 com a Seleção do Panamá, Román Torres participou de 110 partidas e é o 4º jogador com mais jogos disputados pela equipe panamenha. Autor do gol da classificação para a Copa do Mundo contra a Costa Rica, Torres se envolveu em uma polêmica em uma coletiva alguns dias atrás quando tirou a camisa para responder uma pergunta se estava acima do peso. Zagueiro, fez sucesso no futebol colombiano onde por Cortuluá, La Equidad, Atlético Junior, Atlético Nacional e Millonarios, onde conquistou uma Copa da Colômbia e três títulos colombianos. Desde 2015 está na MLS, onde bateu o pênalti decisivo do título inédito da Major League Soccer para seu clube, o Seattle Sounders em 2016.

CRAQUE

37 anos, dezessete como titular de sua seleção, 118 jogos e 43 gols, Blas Pérez é o principal jogador do futebol panamenho desde a aposentadoria dos irmãos Jorge e Julio Dely Valdés. Atualmente no Municipal da Guatemala, sua 18ª equipe diferente, Pérez é a promessa de gols para sua seleção. Autor do gol de empate contra a Costa Rica que daria a inédita classificação, Blas atuou em 13 partidas das Eliminatórias, marcando 2 vezes e dando 1 assistência.

OLHO NELE

Abdiel Arroyo é um forte atacante com boa jogada aérea, muita movimentação e um pivô de muita qualidade. Aos 24 anos, o jogador que consegue jogar pela ponta ou de centroavante é uma das opções do banco panamenho. Arroyo marcou 2 gols e deu 2 assistências nas Eliminatória. Contratado pelo costa-riquenho Alejuelense no início desse ano, vem se destacando na meia-direita da equipe e a opção de Abdiel poder atuar em múltiplas funções pode ser útil para sua equipe.

QUEM FICOU FORA

Filho um pai panamenho, mas nascido no México, Roberto Nurse foi um jogador de destaque por muitos anos na elite do futebol mexicano por equipe menores. Aos 30 anos, já atuando por equipes das divisões de acesso e se naturalizou panamenho, mas sendo sempre chamado para compor o elenco, marcou 3 gols em 20 partidas. Hoje aos 34 anos, Nurse foi perdendo espaço na reta final das Eliminatórias, chegando a entrar na pré-lista dos 35 nomes, acabou ficando de fora.

JOGOS DO PANAMÁ NA COPA
18 de Junho - Bélgica x Panamá (14:00) - Olímpico de Fisht, Sochi
24 de Junho - Inglaterra x Panamá (09:00) - Nizhni Novgorod Stadium, Níjni Novgorod
28 de Junho - Panamá x Tunísia (15:00) - Mordovia Arena, Saransk

BORA NA COPA - INGLATERRA


Donos de uma das principais ligas do planeta, os ingleses são o país com mais atletas convocados para a Copa do Mundo de 2018, tendo 123 atletas atuando no país e mais 6 atuando no Cardiff City e Swansea, clubes do País de Gales, mas que jogam no futebol da Inglaterra. É também a única seleção que tem todos os convocados atuando dentro de sua liga nacional.

Diferente de gerações anteriores com nomes badalados como David Beckham, Wayne Rooney, Michael Owen, Steven Gerrard e Frank Lampard, essa Seleção da Inglaterra é feita em maioria por jovens jogadores, e sua maior estrela apesar de ser um dos destaques da Premier League é reservado e não tem vida badalada.

Nas Eliminatórias foram 8 vitórias e 2 empates, contra Escócia e Eslovênia, ambos fora de casa, e um futebol de defesa forte e contra-ataque rápido, tendo a melhor zaga da qualificação europeia com apenas 3 gols sofridos, sendo 2 no empate contra a Escócia.

Apelido: Os Três Leões
Federação: The Football Association (The FA) 
Confederação: UEFA
Mais jogos: Peter Shilton, 125 jogos
Mais gols: Wayne Rooney, 53 gols
Código FIFA: ENG
Ranking da FIFA: 12º lugar
Participações em Copa: 14ª participação
Melhor posição: Campeã em 1966
Material esportivo: Nike
Capitão: Harry Kane  
Expectativa: Semifinais

CONVOCADOS
GOLEIROSJack Butland (Stoke City-ING), Jordan Pickford (Everton-ING) e Nick Pope (Burnley-ING)

DEFENSORES: Ashley Young (Manchester United-ING), Danny Rose (Tottenham-ING), Fabian Delph (Manchester City-ING), Gary Cahill (Chelsea-ING), Harry Maguire (Leicester City-ING), John Stones (Manchester City-ING), Kieran Trippier (Tottenham-ING), Kyle Walker (Manchester City-ING), Phil Jones (Manchester United-ING) e Trent Alexander-Arnold (Liverpool-ING)

MEIAS: Dele Alli (Tottenham-ING), Eric Dier (Tottenham-ING), Jesse Lingard (Manchester United-ING), Jordan Henderson (Liverpool-ING) e Ruben Loftus-Cheek (Crystal Palace-ING)

ATACANTES: Danny Welbeck (Arsenal-ING), Harry Kane (Tottenham-ING), Jamie Vardy (Leicester City-ING), Marcus Rashford (Manchester United-ING) e Raheem Sterling (Manchester City-ING)

PROVÁVEL TIME TITULAR (3-4-1-2)

TÉCNICO

Gareth Southgate trabalhou um pouco mais de três anos no Middlesbrough em sua primeira chance como treinador, entre 2006 e 2009. Acabou rebaixado da Premier League na temporada 2008-2009 e um início irregular na Championship o custou seu emprego. Treinou entre 2013 e 2016 a equipe sub-21 da Seleção da Inglaterra, e acabou assumindo a equipe principal após a Euro de 2016. Em 18 jogos, Southgate venceu 10, empatou 6 e perdeu apenas 2, amistosos contra Alemanha e França fora de casa. O técnico gosta de marcação alta e forte, contra-ataques rápidos e mortais.

ARTILHEIRO

Danny Welbeck sofreu bastante com lesões nos últimos anos. Nas Eliminatórias atuou apenas em 2 partidas, acumulando 20 minutos em campo. Ainda sim, o atacante do Arsenal garantiu vaga na Copa e é opção de ataque para Harry Kane. Principal marcador entre os convocados, Welbeck tem 16 gols em 59 partidas, tendo marcado um dos gols no amistoso de 2x0 contra a Costa Rica na última semana. Jogador forte e de boa explosão, será importante contra times cansados no segundo tempo.

CAPITÃO

Aos 24 anos, Harry Kane já assumiu a braçadeira de capitão da Inglaterra e será o capitão mais jovem do país não só em uma Copa do Mundo, mas em competições oficiais. Artilheiro e principal jogador do Tottenham, marcou 41 gols em 48 partidas na última temporada, chegando ao time da temporada na Premier League. Pela Inglaterra são apenas 24 partidas e 13 gols. Participou de 6 partidas nas Eliminatórias, onde marcou 5 gols e deu 1 assistência, sendo o artilheiro da Inglaterra e do Grupo F com o eslovaco Adam Nemec.  

CRAQUE

Dele Alli ainda era do Milton Keynes Dons quando Gareth Southgate o chamou para a Seleção Sub-21 da Inglaterra. Disputado pelo país da rainha e pela Ñigéria, o meia fechou com o Tottenham, em 2015 e virou um dos principais jogadores do clube. Com ótima chegada ao ataque e visão de jogo, Dele Alli arma e faz gols, sendo o principal jogador do meio-campo inglês. Nas Eliminatórias fez 8 das suas 25 partidas pela Inglaterra, marcando 1 gol e dando 2 assistências. Na armação inglesa, Dele Alli é o cérebro, mas se derem espaço, também será o fim e não apenas o meio.

OLHO NELE

Trent Alexander-Arnold chamou a atenção de todos que acompanharam a saga do Liverpool até a final da Champions League na última temporada. O jovem lateral-direito de apenas 19 anos assumiu a vaga de titular após uma série de lesões do então titular Nathaniel Clyne e não decepcionou, atuando em 33 partidas, marcando 3 gols e dando 3 assistências. Sua qualidade na marcação e chegadas sempre perigosas no ataque garantiram a Alexander-Arnold uma das vagas na Copa. O jogador estreou como ala-direito contra a Costa Rica na última semana, jogando 64 minutos e indo muito bem no jogo de transição. A espera fica que Southgate dê oportunidades ao promissor jogador nesse mundial.

QUEM FICOU FORA

Joe Hart foi titular da Inglaterra nas últimas duas Copas do Mundo, em 2010 e 2014. Titular do Manchester City por oito temporadas, Hart foi dispensado por Pep Guardiola quando o técnico espanhol chegou aos Citizens. Empréstimos sem sucesso pelo Torino e West Ham que foi titular em 9 partidas das Eliminatórias. Nos amistosos do fim do ano passado e de março desse ano, Hart ainda estava no grupo, mas parecia estar atrás de Butland na reta final de disputa. Só que no fim das contas, o experiente goleiro de 31 anos não foi chamado sequer para a pré-lista e verá a Copa da Rússia pela televisão. 

JOGOS DA INGLATERRA NA COPA
18 de Junho - Tunísia x Inglaterra (15:00) - Volgograd Arena, Volgogrado
24 de Junho - Inglaterra x Panamá (09:00) - Nizhni Novgorod Stadium, Níjni Novgorod
28 de Junho - Inglaterra x Bélgica (15:00) - Arena Baltika, Kaliningrado